A mineração produz volumes cada vez maiores de informações provenientes de áreas como exploração, geologia, planejamento, meio ambiente, governança e operação. Entretanto, reunir esses dados em um ambiente integrado, confiável e acessível ainda representa um desafio para muitas organizações.
Em entrevista ao GE21 Insights, Charles Freitas, CEO da GE21 Geotecnologias, aborda o papel das geotecnologias na construção de uma gestão mais integrada. Ele analisa temas como governança e rastreabilidade dos dados, Infraestruturas de Dados Espaciais, plataformas WebGIS, GeoAI, sensoriamento remoto e a utilização da plataforma IUBI na integração de informações provenientes de diferentes fontes.
Ao longo da conversa, Charles explica por que a transformação digital da mineração depende não apenas da produção de dados, mas principalmente da capacidade de organizá-los, contextualizá-los e transformá-los em inteligência aplicada à tomada de decisão.

Dados geoespaciais e os desafios da integração

Como você avalia o nível de maturidade das empresas de mineração na gestão das informações geoespaciais?

O nível de maturidade ainda é bastante heterogêneo. Algumas empresas já possuem estruturas consolidadas de governança, integração e disponibilização de dados geoespaciais, enquanto outras ainda trabalham com informações fragmentadas, arquivos dispersos e processos muito dependentes de pessoas.

De forma geral, a mineração avançou significativamente na produção de dados, mas ainda precisa evoluir na capacidade de organizá-los, integrá-los e transformá-los em informação corporativa confiável.

Quais são hoje os principais desafios para integrar informações produzidas por áreas como exploração, geologia, planejamento, meio ambiente, ESG e operação?

O principal desafio é superar a fragmentação entre áreas, sistemas e fornecedores. Cada departamento costuma produzir dados com estruturas, padrões, escalas, nomenclaturas e níveis de qualidade diferentes.

A integração exige uma arquitetura corporativa de dados, padrões comuns, responsabilidades bem definidas, interoperabilidade entre sistemas e uma governança que permita que a informação seja compartilhada sem perder sua origem, qualidade e rastreabilidade.

As empresas produzem cada vez mais dados. O que ainda impede que essas informações sejam efetivamente utilizadas na gestão e na tomada de decisão?

Produzir dados não significa necessariamente produzir inteligência. Muitas organizações possuem grandes volumes de informações, mas não sabem exatamente onde elas estão, quem é responsável por sua atualização ou qual versão deve ser considerada oficial.

Também existem dificuldades relacionadas à qualidade, duplicidade, falta de metadados e baixa integração entre sistemas. Para apoiar decisões, os dados precisam ser confiáveis, atualizados, contextualizados e acessíveis no momento adequado.


Governança e infraestrutura geoespacial

Qual é a importância da organização, atualização, governança e rastreabilidade dos dados para a transformação digital da mineração?

Esses elementos constituem a base da transformação digital. Sem dados organizados, atualizados e rastreáveis, qualquer iniciativa de automação, analytics ou inteligência artificial terá resultados limitados.

A governança estabelece responsabilidades, padrões, critérios de qualidade e processos de atualização. Já a rastreabilidade permite conhecer a origem da informação, as transformações realizadas e sua confiabilidade para cada tipo de decisão.

Como as Infraestruturas de Dados Espaciais, os geosistemas e as plataformas WebGIS contribuem para uma gestão mais integrada?

Essas soluções estruturam um ambiente corporativo no qual os dados podem ser organizados, catalogados, integrados e disponibilizados de maneira segura.

Uma Infraestrutura de Dados Espaciais não é apenas um mapa ou um sistema de visualização. Ela envolve dados, tecnologias, padrões, processos e pessoas.

Os geosistemas e as plataformas WebGIS permitem que diferentes áreas acessem uma visão comum do território, reduzindo retrabalho, duplicidade de informações e decisões baseadas em dados desatualizados.

“Uma Infraestrutura de Dados Espaciais não é apenas um mapa ou um sistema de visualização. Ela envolve dados, tecnologias, padrões, processos e pessoas.”

Qual é o papel da plataforma IUBI nesse processo de integração e disponibilização de informações de diferentes fontes?

O IUBI foi concebido para atuar como um ambiente integrado de organização, disponibilização e análise de informações provenientes de diferentes fontes.

A plataforma busca conectar dados geoespaciais, sistemas corporativos, documentos, indicadores e serviços tecnológicos em uma experiência única de acesso.

Seu objetivo é facilitar a localização, a compreensão e o uso das informações, permitindo que diferentes perfis da organização trabalhem sobre uma base corporativa comum e confiável.


GeoAI e transformação digital

Em quais aplicações a GeoAI, o sensoriamento remoto e o geoanalytics já podem gerar ganhos práticos para o setor mineral?

Essas tecnologias já apresentam aplicações práticas em diversas etapas da cadeia mineral. Entre elas estão a geração de alvos exploratórios, classificação de imagens, identificação de alterações no uso do solo, monitoramento ambiental, acompanhamento de estruturas, detecção de mudanças, análise de riscos, planejamento territorial e apoio à fiscalização.

O maior ganho ocorre quando essas tecnologias são integradas aos processos operacionais e utilizadas de forma contínua, e não apenas como estudos isolados.

A inteligência artificial depende da qualidade das informações utilizadas. O que as empresas precisam estruturar antes de avançar para aplicações de IA em escala corporativa?

Antes de ampliar o uso da inteligência artificial, as empresas precisam estruturar seus dados, definir fontes oficiais, implementar processos de controle de qualidade e estabelecer uma arquitetura de integração.

Também é necessário documentar os dados, preservar sua rastreabilidade e definir regras claras de acesso e responsabilidade.

A inteligência artificial potencializa aquilo que já existe: dados bem estruturados geram melhores resultados, enquanto dados inconsistentes ampliam riscos e incertezas.


Geotecnologia aplicada a um desafio concreto

Você poderia citar um exemplo de projeto em que a geotecnologia ajudou a resolver um problema concreto e quais resultados foram alcançados?

Em um projeto desenvolvido para uma operação de grande porte, diferentes áreas utilizavam bases geográficas dispersas, com duplicidades, versões divergentes e dificuldades para localizar informações atualizadas.

A GE21 estruturou uma arquitetura integrada de dados, implantou processos de organização e controle de qualidade e disponibilizou as informações por meio de uma plataforma corporativa.

Como resultado, a empresa passou a trabalhar com fontes mais consistentes, reduziu retrabalhos, aumentou a rastreabilidade e tornou o acesso à informação mais rápido para as equipes técnicas e gerenciais.


GE21 Geotecnologias na EXPOSIBRAM 2026

O que os visitantes poderão conhecer e discutir com a equipe da GE21 Geotecnologias durante a EXPOSIBRAM 2026?

Os visitantes poderão conhecer soluções da GE21 relacionadas à transformação digital da mineração, incluindo governança e integração de dados geoespaciais, Infraestruturas de Dados Espaciais, plataformas WebGIS, GeoAI, sensoriamento remoto, geoanalytics, captura da realidade e gêmeos digitais.

Também apresentaremos o conceito e as aplicações do IUBI como ambiente de integração de informações.

Mais do que demonstrar tecnologias, queremos discutir os desafios concretos das empresas e como transformar dados dispersos em inteligência aplicada à operação, ao planejamento e à tomada de decisão.


Galeria

© Copyright 2026 - GE21 Geotecnologias - Todos os direitos reservados